O sentimento de inveja

Um dia me perguntaram: Pietro como foi que tudo começou? Quando você se interessou pela cozinha? Estas são perguntas distintas e anos de vida a separam. De alguma forma tudo começou na infância com uma vontade de nada mais nada menos, comer coisas gostosas e de sabores e aromas marcantes, não necessariamente em quantidade pois sempre comi pouco me tornando um homem magro.

Diferente de muitas pessoas minha referencia “cozinheira” não vem da referencia feminina mas sim da masculina, e com ela o interesse de cozinhar veio do exemplo paterno quando eu via dentro de casa meu pai (um homem do campo) cozinhando sempre comidas muito saborosas, naturais e orgânicas.

Existe porém uma outra pergunta que merece aqui seu registro, uma pergunta muito mais verdadeira, profunda e a sua resposta vem na mesma medida: Qual foi o marco da culinária na sua vida? Foi através do sentimento de inveja que aqui defino como: “sentimento que gera o desejo de ter ou ser ou fazer exatamente o que a outra pessoa tem, é ou faz”.

Eu via que muitas pessoas usavam a antiga rede social Orkut para mostrar que tinham ido a algum restaurante legal ou principalmente para mostrar que tinham feito um prato bacana, isto revelou em mim um sentimento ruim, a partir dele veio a vontade de mostrar para as pessoas que aquilo que elas faziam era simbólico perto do que realmente eu poderia fazer.

Este sentimento gerou em mim a vontade de ser um cozinheiro melhor que as outras pessoas da minha rede social e também de mostrar para todos que eu realmente fazia pratos de comida melhores e em maior quantidade que os outros. Com isto eu me tornaria um melhor cozinheiro. Foi a partir disto que eu realmente me dediquei a cozinhar e a registrar os diferentes pratos elaborados.

Como é asquerosa e pequena a cabeça do ser humano. Infelizmente esta é uma verdade que não apenas vive em mim mas descobri que está em outras pessoas também e mente quem nega que jamais sentiu a inveja. Vieram então os registros dos primeiros pratos, os elogios, tapinhas nas costas, o orgulho e em meio a este feito horrível veio o reconhecimento do sentimento inicial. Fui tomado por um grande arrependimento e dele o amor começou a brotar.

O amor pela cozinha, a humildade, a vontade de aprender e servir abriram meus olhos (principalmente o arrependimento) me mostraram que nem todos realmente gostam ou tem interesse pela cozinha, apesar de todos precisarem dela. Muitos postavam fotos ou comentários, mas aquele(a) era uma experiência que precisa ser elogiada a fim de vencer desafios do medo e da capacidade. Isto me fez ver o mundo com outros olhos e que a minha habilidade adquirida poderia transformar o medo em coragem.

Da inveja o amor e hoje com este novo sentimento eu incentivo pessoas a tentarem fazer um único simples prato. No começo isto é possível e  registra-lo em uma rede social pode ser uma forma de mostrar que somos todos capazes. Desejo que muitas destas pessoas recebam muitas curtidas das fotos de seus pratos e com isto espero que venha inspiração para novos desafios.

Não sei se posso me exaltar em meio a estes sentimentos, mas fico feliz por jamais ter criticado outras pessoas e suas tentativas de cozinhar, tão pouco seus gostos como o do vegetariano. A verdade é que de um mal sentimento e o arrependimento dele surgiu algo muito nobre, digno e hoje tenho o prazer de registrar e compartilhar receitas, contar histórias, ensinar e o mais recente reproduzir receitas a pedido de alguém curiosamente interessado no resultado.

Esta história é inspirada em um pedido feito pelo primo Roberto Ulhoa que neste fim de semana passado me pediu para preparar um nhoque de semolina. Roberto comentou comigo sobre este prato que ele gosta muito de comer em um restaurante em São Paulo. Depois de algumas mensagens trocadas, receita devidamente afinada, produzi para ele pela primeira vez a receita de nhoque de semolina com molho de carne.

Foi uma deliciosa e gratificante experiência, que me enganou na quantidade e acabei fazendo a receita dobrada por não acreditar que seria possível render 5 porções. Apesar de Roberto estar hoje em outra cidade e não ter provado eu aprovei por ele e a receita elaborada ficou uma delicia, saudável e muito leve. Sinto-me honrado pelo pedido e espero em breve prepará-la novamente para você querido primo.

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